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| Geninha Horta Varatojo |
" Geninha Horta Varatojo, é uma das principais professoras de cozinha Macrobiótica em Portugal e autora de vários livros de culinária. É professora regular em Espanha.
Mãe de 4 filhos, tem uma vasta experiência em educação e alimentação infantil. Juntamente com o marido, foi a fundadora do Instituto Macrobiótico em Portugal (IMP) e atualmente é a responsável pelos programas de culinária no IMP"
O que é para si a Macrobiótica?
Geninha Horta Varatojo (GHV) - Macrobiótica significa "Grande Vida", que para mim é "Uma forma de vida, para toda a vida".
A Macrobiótica para mim é uma inspiração, é sentir-me responsável por incutir no meu espírito e na minha forma de estar, o respeito e amor por todas as coisas que me rodeiam e assim fazer escolhas com maior consciência e discernimento.
Desde quando é macrobiótica e o que mudou na sua vida desde então?
(GHV) - Sou macrobiótica desde os meus 23 anos e tudo foi mudando, como não podia deixar de ser.
Fiquei desde logo, encantada e seduzida pela descoberta de uma nova maneira de estar.
Senti-me mais responsável, consciente e atenta. As mudanças nem sempre são instantâneas. Vão-se dando, consoante as escolhas que vamos fazendo no nosso dia-a-dia. E foi esse o meu trajeto. Fui mudando, alterando padrões, pensamentos, rotinas e aos poucos fui descobrindo uma nova forma de estar, que fazia mais sentido e que me ajudava a entender e aceitar melhor o que Sou e porque estou aqui.
O que lhe proporciona esta nova vida? Como era dantes e como é hoje?
(GHV) - Antes, sentia que era algo "vitima"das circunstâncias da vida.
Agora sei que sou plenamente responsável por todas as minhas escolhas e por tudo o que me acontece, mesmo que nem sempre saiba lidar muito bem com tudo isso. Continua a não ser fácil, mas ter consciência, de que é por aí, faz-me sentir mais completa, responsável e autêntica. O que Sou é o resultado de todas as minhas escolhas, diariamente.
E a nível da alimentação, que mudanças fez exactamente?
(GHV) - A nível de alimentação, mudei imensas coisas, como é óbvio.
Deixei de comer uma série de alimentos, como carne, açúcar, este foi difícil, lacticínios, refrigerantes e muitos outros alimentos refinados, e fui substituindo por produtos de maior qualidade, mais naturais, de origem biológica.
Este processo pode ser relativamente fácil, ou não. Depende do grau de motivação de cada pessoa. É uma questão de opção e de prioridade. Para mim fazia todo o sentido, esta nova forma de me alimentar.
Se bebesse um café pela manhã proporcionava uma determinada sensação e reação no meu corpo, então tudo o que eu ingerisse me afectaria de alguma maneira. Perceber essa dinâmica, ajudou-me imenso nesta caminhada.
E a nível físico, quais as diferenças que sente?
(GHV) - A nível físico, posso dizer que me estou a aproximar das 55 voltinhas à vida e que pensava que estaria demasiado perto da chamada ‘velhice’, e eis que aqui estou e sinto-me fresquinha que nem uma alface, (com algumas folhinhas maltratadas) mas que já percebi que é assim mesmo e que é uma bênção andar por aqui e fazer parte desta grande família, que somos nós todos. Quando nos alimentamos de forma saudável, criamos uma estrutura interna mais estável e equilibrada. Essa harmonia é uma preciosa ferramenta que nos ajuda na forma de pensar e agir.
Há quantos anos é cozinheira macrobiótica e o que a levou a sê-lo?
(GHV) - Há 30 anos que cozinho Macrobiótica, mal sabia cozinhar e já estava no meio dos tachos a fazer as primeiras avarias.
O que me levou a cozinhar foi muito simples, necessidade. Não havia sequer outro jeito, para conhecer melhor os alimentos e as novas técnicas, que me eram desconhecidas. Tive mesmo que por a mão na massa. Frequentei algumas aulas de culinária, comecei a ler livros sobre o tema e pratiquei, até hoje. Ainda pratico...
Cozinhar é pura alquimia, podemos transformar cada alimento numa sinfonia de cor, sabor aroma e dar-lhe mais corpo, textura e ajudar a realçar o melhor desse mesmo alimento.
Umas vezes sai maravilhosamente bem, outras nem tanto. Faz parte.
Adoro cozinhar e ouvir boa música. Umas vezes funciona como uma doce meditação e outras aproveito para saltar em todas as direções. Pura terapia, sem custos.
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| O último livro "Tudo o que comemos conta" |
Qual é o alimento ou alimentos predominantes neste tipo de cozinha?
(GHV) - Uma boa alimentação é rica em cereais integrais, como o arroz, millet, cevada, quinôa, massas. Uma imensa variedade de legumes e verduras, feijões, peixes, sementes, frutas da época, algas, condimentos, oleaginosas, adoçantes naturais e por aí fora.
Legumes como, cenouras, abóboras ou cebolas, saciam, acalmam e são uma boa qualidade de doce. Brócolos, agriões, nabiças e outros legumes de folha verde, são ricos em vitaminas, clorofila, uma boa fonte de cálcio e proporcionam frescura e flexibilidade.
Alimentos como o peixe, grão, lentilhas, feijão azuki ou derivados de leguminosas como o tofu ou tempeh, são uma boa fonte de proteína.
Pequena quantidade de algas, são riquíssimas em minerais, como o cálcio, ferro e iodo.
Fruta da época e sobremesas naturais são um bom complemento na alimentação.
Quando nos alimentamos de forma mais saudável e natural, criamos uma estrutura interna mais estável e equilibrada e isso favorece toda a nossa forma de estar, de agir e de pensar.
Acho que não temos nada a perder, bem pelo contrário.
Escolha um deles e fale nos seus benefícios.
(GHV) - E como não podia deixar de ser, escolho o arroz. Primeiro porque é um dos cereais mais importantes na nossa alimentação e que mais utilizamos e também porque gosto muito.
Aliás, gosto de todo o tipo de arroz, integral, branco, basmati, selvagem e pode ser simples, com gomásio, risoto, arroz de peixe, de caril, arroz doce e por aí fora.
Este é o cereal que comemos com mais regularidade, devido ao equilíbrio perfeito de hidratos de carbono, minerais e proteína que contém, tornando-o bastante digesto e de fácil assimilação.
Dê uma receita fácil e saborosa.
(GHV) - Uma receita fácil e saborosa. Não vai ser fácil a escolha. Deixa-me pensar...
Aqui vai: Falafel de Grão e salada em Pão Pita
Ingredientes:
250g de grão cozido / 1 cebola / 2 dentes de alho / 1 c.café de cominhos / 80g pão ralado / 1 curgete ralada / 150g carolo de milho/ farinha de trigo para polvilhar
Triture o grão com a cebola picada e o alho. Junte os cominhos, o pão ralado e a curgete. Forme pequenas bolas e passe pela farinha de milho e de seguida pela farinha de trigo. Frite em óleo quente e deixe repousar em papel absorvente.
Prepare o molho de mostarda com um pouco de água e pitada de sal.
Abra o pão para formar uma bolsa e recheie com salada de alface, rúcula e rebentos de alfafa (temperada com vinagreta), e as bolinhas de falafel. Verta o molho de mostarda e aperte o pão suavemente. É praticamente uma refeição. Bon Apetit!!















